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24 novembro, 2006

Candeeiro

Fotografia de autoria de Menina Marota

É à luz do candeeiro na tua sala
que encontro o resguardo
da minha própria sombra.
Perdia-me na minha noite,
vagabundo, derrubado, derrotado,
renegado pela minha concepção de mim,
ainda que a mim imposta...
Sempre tive escolha e não escolhi.
Sempre tive na minha mão
a segurança de que o Mundo
é outro e não este;
de que o véu é um véu
e não o escuro fundo
de uma existência funesta.

É à luz do candeeiro dos teus sonhos
que descubro,
enquanto a nossa carne se fricciona,
que a Alma afinal redescobre-se
a cada orgasmo,
pelo poder das feromonas que acciona
em nós, o entusiasmo de estar vivo.
Podia continuar perdido mas encontrei-te;
e contigo nesta sala das nossas noites
descobri o dia de sol que sempre quís ver;
rebolei nas concepções de amor e Amor
e nunca me pediste que voltasse
aos teus braços, nunca!
Nunca pediste que nos soldasse num compromisso...

E é isso que faz com que permaneça
o Desejo que nos mantém quentes,
noite após noite,
sem esperança,
nem vontade,
que amanheça...


Rui Diniz

9 Comments:

Blogger Menina_marota disse...

Soberbo!
É preciso um momento de inspiração suprema, para fazer perante um candeeiro este poema.
Adorei.

Grata por este momento que nos ofereces.

Um abraço e bom fim de semana ;)

novembro 26, 2006 1:16 da manhã  
Blogger Poesia Portuguesa disse...

Bem...foi mesmo no candeeiro que te inspiraste?

Beijo ;)

novembro 26, 2006 1:17 da manhã  
Blogger Rosa Brava disse...

"...É à luz do candeeiro dos teus sonhos
que descubro,
enquanto a nossa carne se fricciona,
que a Alma afinal redescobre-se
a cada orgasmo,
pelo poder das feromonas que acciona
em nós, o entusiasmo de estar vivo."


... e como é bom estarmos vivos!

;)

novembro 26, 2006 1:20 da manhã  
Blogger Menina_marota disse...

Espero que não te importes que tenha levado "emprestado" o teu poema.
Algum inconveniente diz, que será de imediato retirado.

Um abraço ;)

novembro 27, 2006 5:35 da tarde  
Blogger Rui Diniz disse...

Nunca há problema por muitos motivos e mais este: a fotografia é tua :-)

Aliás, até agradeço pois é um prazer!

Beijos!
Diniz

novembro 27, 2006 5:42 da tarde  
Anonymous Anónimo disse...

olá vim aqui por sugestão da menina marota: bem vamos lá a ver se consigo por em palavras aquilo que senti quando li as tuas letras, se te dissesse que voltarei chega? volto sim, adorei. parabéns sofialisboa

novembro 28, 2006 2:30 da tarde  
Blogger Rui Diniz disse...

É o melhor elogio que me poderás fazer, voltar cá. :-)

novembro 28, 2006 2:48 da tarde  
Anonymous Antonio Melenas disse...

Está estupendo este este poema. É mesmo um dos teus de que mais gostei. Mas pego na pergunta da "Poesia Portuguesa": Foi mesmo (foi só) no candeeiro que te inpiraste?
Um abraço

novembro 28, 2006 11:52 da tarde  
Anonymous {{coral}} disse...

Olá Rui,
Muito bom este poema, e sem dúvida um belo desafio.
Gostei muito.

{{coral}}

novembro 29, 2006 10:33 da tarde  

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