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14 maio, 2007

Professor

Passo os meus dias com as crianças,
fingindo ser um pai que não respeitam.
Deixo a consciência à porta,
remeto o coração ao silêncio,
presido a rituais de veneração
a livros gastos e indolentes.

Não apresento nada de novo
e não o faço por mim.
Faço-o por chegar a casa e tê-la.
Faço-o para dar alimento ao corpo
e para preservar
este "eu" tão submisso...

Sou professor ou lá o que isso é...
não ensino nada nem tal é suposto;
devia ser um auxilio e não um posto.
As crianças nem me ouvem e ainda bem...

Eu alimento a esperança tímida
de que são os que fogem
que um dia
serão alguém...


Rui Diniz

6 Comments:

Blogger Debaixo do Bulcão disse...

És mesmo professor? A sério, ou só no poema?
É que, se és mesmo professor, não sei se te dou os meus parabéns ou as minhas condolências.
Profissão tão nobre e tão desprezada (pelo menos em Portugal...), não é?

Um abraço poético (seja lá isso o que for) do

António Vitorino

maio 16, 2007 2:27 da tarde  
Blogger Rui Diniz disse...

Professor de profissão não sou, mas tenho os meus momentos de Professor de posição, no meio de imensos como Aluno da vida.

Aqui falo da profissão social que já não existe e que temos de recuperar: a de ensinar. Ensinar não é ditar livros nem proclamar verdades obsoletas e dogmáticas e muito menos programar por repetição as mentes que no futuro irão reagir em vez de agir, reagir em vez de pensar...

é sim despertar no aluno a pergunta, a procura, libertar-lhe a mente de dogmas de qualquer natureza e ajudá-lo a encontrar por si as respostas. É responsabilizá-lo no sentido positivo do termo. É partilhar experiências. É crescer com os alunos.

Assassinaram os professores há demasiado tempo...

Grande abraço poético!
Diniz

maio 16, 2007 2:40 da tarde  
Blogger Isabel disse...

Devem haver muitos professores assim...
Quase todos os que tive o foram.
Por isso lembramos para a vida inteira os outros.
Quantos como dizes no teu poema não o farão por habito de submissão esperando que uns fujam para ser alguém, para ter pensamento próprio, para fugirem da submissão da qual eles não conseguem fugir.

Gosto muito deste poema
pela música poética
pela escolha das palavras
principalmente pela ideia

Gosto que mostres o que é, infelizmente, com esse humanismo e com esse sentido critico.

Gosto da ideia que a esperança é fugir.

Eu fugi

Mas ainda não sou ninguém
Sou alguem a tentar ser alguem
isso já é ser pelo menos.

Adorei
mesmo!

maio 18, 2007 5:08 da tarde  
Anonymous Anónimo disse...

Feliz em saber que sou PROFESSORA rsrs
De uma professora
adorei este poema, levarei sempre comigo
Flávia Novais

maio 18, 2007 8:32 da tarde  
Blogger Menina_marota disse...

Professor... um tema controverso nos dias de hoje...

Um abraço e bom fim de semana ;)

maio 18, 2007 10:23 da tarde  
Blogger Zé Lérias disse...

Professores a sério, precisam-se.
Que falta fazem em Portugal, tuas antigas orientações, C.Freinet!
Que saudades do tempo em que se lia, atentamente, M. Montessori!
Que saudades do tempo em que havia ilusões...

junho 01, 2007 1:21 da tarde  

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