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10 fevereiro, 2006

O Tom da Dor

Sem que tenhas de entender o porquê
de ver o mundo noutra cor,
sabes que o que se vê
nem sempre tem o tom da dor?

Perco-me nas linhas torcidas, trocadas, desta comunicação
com o interior da natureza que é minha e só por mim compreendida.
Se do teu toque já não sinto calor, nem a doçura de um beijo ao luar,
agora só me resta a saudade do que poderiamos ter vivido.

Sem que tenhas de entender o porquê
de ver o mundo noutra cor,
sabes que o que se vê
nem sempre tem o tom da dor?

Fui monstro duro e cruel, carrasco de um coração enganado.
Fui homem, fui calor quando o teu tempo era chuvoso.
Julgas poder julgar com a certeza de Ser perfeito,
mas irás julgar-te assim, quando à sombra regressares?

Olha-me agora e vê;
nem tudo o que perdeste está igual…
Mas se hoje morro em ti,
amanhã, quando morrer,
chorarei menos sal…

Sem que tenhas de entender o porquê
de ver o mundo noutra cor,
sabes que o que se vê
nem sempre tem o tom da dor?


Rui Diniz