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30 dezembro, 2006

Verdade Convertida

Se não podes mudar o mundo,
muda o teu mundo!
Procura:
aquele pedaço da Felicidade
que julgas perdida;
no fundo
da Verdade
convertida.

Se não podes mudar o outro,
muda o teu outro!
Conquista:
aquele pedaço da Alma
que julgas contida;
no rosto
da Verdade
convertida.

Se não podes mudar a gente,
muda a tua gente!
Educa:
aquele pedaço da Luz
que julgas escondida;
na mente
da Verdade
convertida.

Se não podes mudar a guerra,
muda a tua guerra!
Respeita:
aquele pedaço da Paz
que julgas vendida;
à Terra
da Verdade
convertida.

Se não podes mudar nada,
muda o teu tudo!
Ama:
aquele pedaço da humanidade
que julgas mantida;
à entrada
da Verdade...

MENTIDA!


Rui Diniz

25 dezembro, 2006

Natal

A Inês Ramos pediu-me um poema de Natal para colocar no seu blog hoje, precisamente no dia 25. Eu alertei-lhe para o facto de poder não me sair um poema dentro dos enquadramentos mais em voga mas só consegui com que ela ficasse mais entusiasmada... e quando o enviei parece que gostou. Espero que goste também ou que no mínimo lhe faça pensar. Aqui vai:


Natal...

época de Paz e Amor...
Jesus menino nasceu já Senhor.
Três Reis...
Trazendo veneração...
E ouro e outras merdas na mão!

POIS SIM! MERDA!
E se estiver errado...
seguro eu desta vez o cajado!

O Natal...
é quando o Sol representado
por um tal de Jesus oleado,
após três dias na "morte"
ressuscita para o norte!

O Natal...
essa época invernal...
repleta de pastores e ovelhas,
mas já não da Era de Peixes com orelhas
mas da Era do Capital!

Capital... Social!
Ahah! Sim! Social!
É fun-da-men-tal ser Social!
Que outra maneira teríamos de ser escravos
senão no Social?
...Escravos de Natal...

Não me levem a mal;
não sou demónio nem Satanás,
sou apenas um homem que faz
a pergunta fun-da-men-tal:

Porquê?

Porque no Natal,
pro-gra-mamos;
o materialismo nos infantes,
o despesismo nos adultos,
a inveja nos Amantes
e a ignorância nos incultos...

É que no fim,
quando o Pai Natal regressa ao caseiro,
quando os doces já estão no lixo,
é quando os débitos de Janeiro
finalmente são um bicho!
...E enquanto houver banqueiro
haverá frio em Janeiro!

Natal, Natal...
não me leves a mal;
não sou anjo nem querubim,
sou apenas um homem assim,

este escravo anormal...


Rui Diniz

15 dezembro, 2006

O Sacerdote Dourado

Há uma espécie de conforto cego
nesta vida consciente
que se adapta a tudo mas resiste
ao evidente.

Bombardeados por informação,
perdemos a consciência inata
e fechamo-nos no interior da lata
que rotulamos
de nós mesmos.
Caminhamos sem olhar,
sempre consolados pelo lixo mental,
que qual uma droga,
destroi o pensamento
que tinha a hipótese de ser igual
àquele resistente mais em voga...

Não se questiona,
é proibido!
É sagrado!
O ensinamento do sacerdote dourado!
Pratica-se a veneração de mais uma Verdade,
mentirosa, aprisionante e audaciosa,
em nome de mais uma Liberdade!

Na mesma, como sempre,
quem pergunta é arrasado,
destruido, destituido,
arrancado!
Mas nós não sabemos
porque não olhamos,
não queremos,
é proibido!
É sagrado!
O ensinamento do sacerdote dourado!

É esta espécie de conforto cego
nesta vida inconsciente
que se adapta à corrente mas resiste
ao evidente!
É proibido!
É sagrado!
O ensinamento do sacerdote dourado!


Rui Diniz

01 dezembro, 2006

Arte Mágica

Luzes! Câmara!
Estou mortinho por Acção!
Quero fazer desta cena
uma revelação!

Sem um ramo de azevinho
tento devolver a esta arte,
a arte,
um verdadeiro caminho!
Oh hipnótica ilusão!
Esse fantasma do cinema!
Não te quero nesta cena
semeando a distração!

Farei desta arte, uma arte!
Uma arte sana, profana,
uma parte de um novo mundo
que se inaugura em cada homem!

Se nesta arte as estrelas
fossem astros, não os deuses
nem os homens que fingem,
nem os escribas da Casa,
nem os ardilosos mentirosos,
nem os pagantes saqueadores
da consciência...

seria esta arte, uma arte!

Arte sana, profana,
uma parte de um novo mundo
que se inaugura em cada homem!

Luzes! Câmara!
Estou mortinho pela Reacção!
Vamos fazer desta cena

A Revelação!


Rui Diniz