Eu não faço nada.
Nem aponto com certezas um remédio,
nem ajo sobre os problemas.
Apenas aponto o lixo
geralmente com o dedo médio.
Recomendo a muita gente hipócrita
a visita ao falo geral,
conhecido pelo infinito
e pelo insulto banal
que não se evita.
Mas eu, propriamente, nada faço.
Fico-me por aqui a falar
e a escrever monotonias
que ninguém sintoniza.
Por vezes, nas minhas manias,
sou como a torre de Pisa
que se não páro de me inclinar
cairei um dia
de cansaço...
Ai que nada faço...
Parece faltar-me energia
para combater a homogenia
e despertar pessoas
com o meu dedo médio,
em riste,
pintando as coisas boas
com a verdade do assédio,
com que eles fazem do alegre sonho,
o mundo triste...
Eu até me envergonho,
se me olhar socialmente;
sou um demente,
enfadonho,
inconsequente,
tristonho
e exigente...
Oh que merda!
Tinha de brotar de mim esta loucura
no meio de um mundo são
e intransigente!
E o que nos conserva
é este duro e escasso pão
com que esse tal deus de brandura,
alimenta a sua gente...
Rui Diniz
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05 março, 2007
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3 comentários:
Uau, descrição perfeita de como você realmente se vê rss. Já não posso dizer se é exagero ou não.
Um beijo
Tenho a certeza... intuitiva é verdade, mas das muitas falhas que tenho a intuição não é uma delas, de que um dia a tua voz, a tua escrita chegará mais alto e mais longe.
Apontar o dedo não é não fazer nada... é fazer muito se o teu dedo apontado despertar quem apontará o caminho da cura...
Não nos cabe a missão de todos os passos... não nos cabe todas as missões... cabe-nos tentar descobrir a nossa e tentar fazê-la bem... cada vez melhor... sem desistir nunca.
Não te deixes cair de falta de energia... vê onde a tens, procura por ela, desgraçada por vezes esconde-se bem... mas está lá, diz-me de novo a minha intuição.
Descobre a energia e grita...poeticamente... oh poeta... e acordanos em mágicos despertares...
Acontecerá...diz-me a minha faladora intuição.
Chamar-te-ão um dia o poeta dos despertares...
Isabel
Só o facto que pensares que nada fazes, já é fazeres qualquer coisa...
para uns chega, para outros o acto solitário perde-se no meio da onda que não se quer apanhar!
sempre tão assertivo meu caro Rui Dinis!
beijo grande
Maçã de Junho
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